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Posted by Pipoco
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16:58
Não acho que as pessoas possam ser divididas em duas categorias: felizes ou infelizes.
Creio, de verdade, que há na vida de todo mundo momentos de alegria que se alternam com instantes de frustração, angústia, medo, mesmice, num eterno e oscilante ir e vir de sensações.
Porém, há fatores que contribuem para que sejamos mais ou menos aprazerados: a escolha de um trabalho gratificante, o contato com bons e leais amigos, a oportunidade de estar em paz no ambiente familiar, enfim, cada um pode e faz sua listinha de acordo com as mais sinceras necessidades e vontades.
Eu, por exemplo, vivo desgostoso quando o assunto é a questão profissional. Jornalista de formação, com grande interesse em artes no geral, principalmente no que diz respeito ao cinema e à literatura, pego-me cotidianamente afundando entre processos que devo carimbar e numerar e/ou alimentando um sistema que se caracteriza pela lentidão e burocracia. Sim, eu optei por prestar concurso e sou um servidor público frustrado, como se pode ter imaginado.
Quando surgiu a ideia de realizar o certame, o que vinha à minha mente era a necessidade de pelo menos durante um curto período de tempo poder equilibrar minhas finanças, realizar algumas viagens e viver com um mínimo de conforto no Rio de Janeiro, o que hoje se configura como uma missão quase impossível.
Lá se vão quase 9 anos e aquela sensação desagradável de que os ponteiros do relógio aceleram e as horas passam sem que eu me sinta produtivo ou ao menos estimulado. Nem o meu contracheque me traz motivação!
Pior ainda foi perceber que no meu espaço eu estou rodeado de pessoas tão diferentes e desinteressantes para mim. Dificilmente vejo alguém com um livro aberto ou discutindo algum filme em que não haja ao menos uma cena de explosão, piadas com duplo sentido ou um roteiro linear.
Não quero com isso categorizar pessoas e julgar algumas melhores ou piores com as outras, elevando-me a uma instância de superioridade. Quão pretensioso e diferente de mim seria! Trata-se apenas de enxergar as peculiaridades de cada um, de maneira a tentar transformar o meu cotidiano de acordo com o que me é oferecido.
Assim, após muita reflexão, percebi algo: não posso obrigar (e nem quero) os meus colegas a gostarem das mesmas coisas que eu! Não me sentiria nem um pouco confortável se fosse coagido por eles a, por exemplo, assistir a uma partida de futebol ou comer um bacalhau (digo não às duas coisas).
Desta forma, buscando alternativas para que surjam mais momentos de felicidade em minha vida, o que tenho me proposto atualmente é tentar circular por terrenos diversos, adaptando-me às plurais realidades dos outros que me cercam.
Porém, há dias em que isso se torna difícil e como desafogo eu acabo me isolando e encontrando conforto nos meus livros.
Sim, eu clareio minhas ideias ao perceber que na leitura diária de romances eu posso achar acolhimento e dedicar um período do meu cotidiano a obras que me agucem o fascínio e permitam explorar minhas subjetividades, tão múltiplas e por vezes tão óbvias, conflitantes e, no entanto, tão únicas.
Aos poucos fui percebendo, todavia, que explorar obras literárias sem compartilhar com alguém das experiências vividas seria frustrante e inócuo. Ser complexo, eu sou.
Neste ínterim, fui apresentado a alguns dos "booktubers", amigos amantes da literatura que classificam, categorizam, resenham e apresentam obras que tenham lido a um público interessado em suas opiniões e também em dicas.

Começou a nascer um projeto, mas novamente assumo uma fraqueza: somado à pouca afinidade com as câmeras, senti que a fórmula está já bastante saturada. Há leitores bem engajados fazendo um trabalho lindo e difundindo o que há de melhor no mundo das letras. Outros, porém, traçam panoramas rasos e não acrescentam em muito, mas eu não acho que isso diminui seus projetos. Pelo contrário, sou daqueles que apoiam a ideia de que é melhor sempre ter um livro aberto a não ter nenhum.
Assim, veio à mente ressuscitar meu antigo blog, no qual eu tecia algumas pequenas considerações acerca do meu cotidiano, como fagulhas soltas em meio a um turbilhão de acontecimentos! Fazer emergir novos focos de luz parecia uma proposta interessante, mas desta vez eu utilizaria o espaço como ambiente de discussão literária e cinematográfica, o que vislumbro como algo repetitivo e que não saciaria minhas necessidades.
Além disso, não me considero um bom resenhista: tendo a enaltecer muitas passagens e deixar de lado outras. Também me apaixono a apego por certos personagens e excluo outros, num exemplo bem contemporâneo e propício de bullying literário.
Mais que isso: eu comecei a perceber que as leituras que venho fazendo têm despertado em mim outro olhar e o comportamento durante as horas dedicadas mudou, se considerar o leitor que fui há alguns anos.
Talvez por conta da tecnologia tão imersa em nossas vidas ou pelo fato de eu já não ser mais aquele garoto da faculdade que se concentrava e fazia várias coisas ao mesmo tempo, atualmente me percebo como um leitor que, durante o ato, se deixa levar por pensamentos alheios com mais frequência, encadeando ao texto outras histórias já lidas, vividas ou imaginadas.
Chamo esses lapsos de hiperlinks, pois é desta maneira que enxergo: ao ler determinado livro, em certa passagem, minha mente começa a vagar por outros terrenos e à medida em que se avançavam as páginas, perco-me em devaneios. O mesmo, aliás, ocorre com filmes e também com séries, que também aprecio bastante.
Isto tudo posto, arrisco-me a dizer que busco agora expor esses hiperlinks que venho construindo. O foco do blog será esboçar, rascunhar sobre os livros que venho lendo (e, eventualmente, filmes a que tiver assistido)de maneira não a apresentar uma resenha ou resumo deles, mas mostrar de que forma me despertaram para algumas memórias que acabo por ressignificar.
Trata-se, pois, de um lugar no qual buscarei alternar passagens de livros marcantes a eventos que me proporcionaram momentos de reflexão e pura quimera, num paralelo em que serei leitor e autor ao mesmo tempo e em obras distintas, mas que se complementam.
Um diário? Um blog literário? Sinceramente, não busco nomes e tampouco, visualizações. Quero, apenas e honestamente, novos e duradouros momentos de felicidade.
Creio, de verdade, que há na vida de todo mundo momentos de alegria que se alternam com instantes de frustração, angústia, medo, mesmice, num eterno e oscilante ir e vir de sensações.
Porém, há fatores que contribuem para que sejamos mais ou menos aprazerados: a escolha de um trabalho gratificante, o contato com bons e leais amigos, a oportunidade de estar em paz no ambiente familiar, enfim, cada um pode e faz sua listinha de acordo com as mais sinceras necessidades e vontades.
Eu, por exemplo, vivo desgostoso quando o assunto é a questão profissional. Jornalista de formação, com grande interesse em artes no geral, principalmente no que diz respeito ao cinema e à literatura, pego-me cotidianamente afundando entre processos que devo carimbar e numerar e/ou alimentando um sistema que se caracteriza pela lentidão e burocracia. Sim, eu optei por prestar concurso e sou um servidor público frustrado, como se pode ter imaginado.
Quando surgiu a ideia de realizar o certame, o que vinha à minha mente era a necessidade de pelo menos durante um curto período de tempo poder equilibrar minhas finanças, realizar algumas viagens e viver com um mínimo de conforto no Rio de Janeiro, o que hoje se configura como uma missão quase impossível.
Lá se vão quase 9 anos e aquela sensação desagradável de que os ponteiros do relógio aceleram e as horas passam sem que eu me sinta produtivo ou ao menos estimulado. Nem o meu contracheque me traz motivação!
Pior ainda foi perceber que no meu espaço eu estou rodeado de pessoas tão diferentes e desinteressantes para mim. Dificilmente vejo alguém com um livro aberto ou discutindo algum filme em que não haja ao menos uma cena de explosão, piadas com duplo sentido ou um roteiro linear.
Não quero com isso categorizar pessoas e julgar algumas melhores ou piores com as outras, elevando-me a uma instância de superioridade. Quão pretensioso e diferente de mim seria! Trata-se apenas de enxergar as peculiaridades de cada um, de maneira a tentar transformar o meu cotidiano de acordo com o que me é oferecido.
Assim, após muita reflexão, percebi algo: não posso obrigar (e nem quero) os meus colegas a gostarem das mesmas coisas que eu! Não me sentiria nem um pouco confortável se fosse coagido por eles a, por exemplo, assistir a uma partida de futebol ou comer um bacalhau (digo não às duas coisas).
Desta forma, buscando alternativas para que surjam mais momentos de felicidade em minha vida, o que tenho me proposto atualmente é tentar circular por terrenos diversos, adaptando-me às plurais realidades dos outros que me cercam.
Porém, há dias em que isso se torna difícil e como desafogo eu acabo me isolando e encontrando conforto nos meus livros.
Sim, eu clareio minhas ideias ao perceber que na leitura diária de romances eu posso achar acolhimento e dedicar um período do meu cotidiano a obras que me agucem o fascínio e permitam explorar minhas subjetividades, tão múltiplas e por vezes tão óbvias, conflitantes e, no entanto, tão únicas.
Aos poucos fui percebendo, todavia, que explorar obras literárias sem compartilhar com alguém das experiências vividas seria frustrante e inócuo. Ser complexo, eu sou.
Neste ínterim, fui apresentado a alguns dos "booktubers", amigos amantes da literatura que classificam, categorizam, resenham e apresentam obras que tenham lido a um público interessado em suas opiniões e também em dicas.

Começou a nascer um projeto, mas novamente assumo uma fraqueza: somado à pouca afinidade com as câmeras, senti que a fórmula está já bastante saturada. Há leitores bem engajados fazendo um trabalho lindo e difundindo o que há de melhor no mundo das letras. Outros, porém, traçam panoramas rasos e não acrescentam em muito, mas eu não acho que isso diminui seus projetos. Pelo contrário, sou daqueles que apoiam a ideia de que é melhor sempre ter um livro aberto a não ter nenhum.
Assim, veio à mente ressuscitar meu antigo blog, no qual eu tecia algumas pequenas considerações acerca do meu cotidiano, como fagulhas soltas em meio a um turbilhão de acontecimentos! Fazer emergir novos focos de luz parecia uma proposta interessante, mas desta vez eu utilizaria o espaço como ambiente de discussão literária e cinematográfica, o que vislumbro como algo repetitivo e que não saciaria minhas necessidades.
Além disso, não me considero um bom resenhista: tendo a enaltecer muitas passagens e deixar de lado outras. Também me apaixono a apego por certos personagens e excluo outros, num exemplo bem contemporâneo e propício de bullying literário.
Mais que isso: eu comecei a perceber que as leituras que venho fazendo têm despertado em mim outro olhar e o comportamento durante as horas dedicadas mudou, se considerar o leitor que fui há alguns anos.
Talvez por conta da tecnologia tão imersa em nossas vidas ou pelo fato de eu já não ser mais aquele garoto da faculdade que se concentrava e fazia várias coisas ao mesmo tempo, atualmente me percebo como um leitor que, durante o ato, se deixa levar por pensamentos alheios com mais frequência, encadeando ao texto outras histórias já lidas, vividas ou imaginadas.
Chamo esses lapsos de hiperlinks, pois é desta maneira que enxergo: ao ler determinado livro, em certa passagem, minha mente começa a vagar por outros terrenos e à medida em que se avançavam as páginas, perco-me em devaneios. O mesmo, aliás, ocorre com filmes e também com séries, que também aprecio bastante.
Isto tudo posto, arrisco-me a dizer que busco agora expor esses hiperlinks que venho construindo. O foco do blog será esboçar, rascunhar sobre os livros que venho lendo (e, eventualmente, filmes a que tiver assistido)de maneira não a apresentar uma resenha ou resumo deles, mas mostrar de que forma me despertaram para algumas memórias que acabo por ressignificar.
Trata-se, pois, de um lugar no qual buscarei alternar passagens de livros marcantes a eventos que me proporcionaram momentos de reflexão e pura quimera, num paralelo em que serei leitor e autor ao mesmo tempo e em obras distintas, mas que se complementam.
Um diário? Um blog literário? Sinceramente, não busco nomes e tampouco, visualizações. Quero, apenas e honestamente, novos e duradouros momentos de felicidade.